Se você já se perguntou por que alguns sites aparecem nas primeiras posições do Google enquanto outros ficam para trás — mesmo com conteúdo de qualidade —, uma parte da resposta está nos core web vitals. Essas métricas medem a experiência real do usuário ao navegar pelo seu site e fazem parte dos critérios de ranqueamento do Google desde 2021.
Aprendi isso do jeito mais incômodo possível. Ao auditar o site de um cliente aqui em Pouso Alegre com o Google PageSpeed Insights, encontrei um LCP de 8,2 segundos — mais que o dobro do limite considerado bom pelo Google. O site carregava, o conteúdo era sólido, mas a lentidão estava segurando o ranqueamento de forma silenciosa. Depois de otimizar as imagens, ajustar o carregamento das fontes e remover scripts desnecessários, o LCP caiu para 2,1 segundos. Em 45 dias, três páginas que estavam na segunda página do Google subiram para as cinco primeiras posições.
Neste artigo, você vai entender o que são os core web vitals, o que cada métrica mede, como verificar o desempenho do seu site de forma gratuita e o que fazer quando os números não estão bons.
O que são os Core Web Vitals
Os core web vitals são um conjunto de métricas criadas pelo Google para avaliar a experiência do usuário em uma página web. Elas não medem se o conteúdo é bom ou ruim — medem como o usuário percebe o carregamento, a interatividade e a estabilidade visual da página.
O Google criou essas métricas porque percebeu que velocidade e experiência de navegação influenciam diretamente o comportamento do usuário: páginas lentas ou instáveis geram mais abandono, menos tempo de permanência e menos conversões. Portanto, ao incorporar os core web vitals como sinal de ranqueamento, o Google passou a recompensar sites que entregam boa experiência — não apenas sites com conteúdo relevante.
Atualmente, os core web vitals são compostos por três métricas principais: LCP, INP e CLS. Cada uma mede um aspecto diferente da experiência de navegação, e cada uma tem um intervalo de valores que o Google classifica como bom, precisa melhorar ou ruim.
LCP — Largest Contentful Paint
O LCP mede o tempo que leva para o maior elemento visível da página ser completamente carregado. Esse elemento pode ser uma imagem, um bloco de texto grande, um vídeo ou qualquer outro conteúdo que ocupe a maior área visível na tela do usuário.
O Google considera um LCP bom quando ele ocorre em até 2,5 segundos. Entre 2,5 e 4 segundos, a classificação é “precisa melhorar”. Acima de 4 segundos, o LCP é considerado ruim — e esse é um dos problemas mais comuns em sites WordPress com imagens pesadas ou temas carregados de plugins.
O que costuma prejudicar o LCP
Imagens sem compressão são a causa mais frequente de LCP alto. Uma foto de 3 MB colocada diretamente no banner de uma página pode, por si só, empurrar o LCP para além de 5 segundos. Além disso, fontes externas carregadas de forma bloqueante, scripts de terceiros que atrasam o renderizamento e hospedagem de baixa performance contribuem diretamente para um LCP ruim.
INP — Interaction to Next Paint
O INP substituiu o FID (First Input Delay) como métrica oficial dos core web vitals em março de 2024. Ele mede a capacidade de resposta geral da página às interações do usuário — cliques, toques e pressionamentos de tecla — ao longo de toda a visita, não apenas no primeiro clique.
O Google considera um INP bom quando está abaixo de 200 milissegundos. Entre 200 e 500 ms, a classificação é “precisa melhorar”. Acima de 500 ms, o INP é ruim — o que significa que o usuário percebe um atraso visível entre a ação e a resposta da página.
Na prática, um INP alto costuma ser causado por JavaScript excessivo executando na thread principal do navegador. Plugins de chat ao vivo, ferramentas de analytics mal configuradas e scripts de redes sociais carregados de forma síncrona são os vilões mais comuns nesse quesito.
CLS — Cumulative Layout Shift
O CLS mede a estabilidade visual da página — ou seja, o quanto os elementos visuais se movem de forma inesperada enquanto a página carrega. Aquele botão que você ia clicar e de repente desceu dois centímetros porque uma imagem apareceu acima dele? Isso é um layout shift.
O Google considera um CLS bom quando está abaixo de 0,1. Entre 0,1 e 0,25, a classificação é “precisa melhorar”. Acima de 0,25, o CLS é ruim. Embora pareça um valor pequeno, um CLS alto é extremamente frustrante para o usuário e tem impacto direto em cliques acidentais — especialmente em dispositivos móveis.
O que costuma causar CLS alto
Imagens sem dimensões definidas no código, banners de anúncio que aparecem depois do carregamento da página e fontes que trocam de estilo durante a renderização são as causas mais comuns de CLS alto. No WordPress, temas que carregam elementos dinamicamente via JavaScript também contribuem para esse problema.
Como medir os Core Web Vitals do seu site
Existem duas fontes de dados para os core web vitals: dados de laboratório e dados de campo. Entender a diferença entre elas é essencial para interpretar os resultados corretamente.
Os dados de laboratório são simulações feitas em condições controladas. Eles são úteis para identificar problemas durante o desenvolvimento, mas não refletem a experiência real dos usuários do seu site. Os dados de campo, por outro lado, coletam informações reais de quem visitou o seu site nos últimos 28 dias — e são esses que o Google usa para o ranqueamento.
Google PageSpeed Insights
O PageSpeed Insights é a ferramenta mais acessível para verificar os core web vitals. Basta acessar pagespeed.web.dev, inserir a URL da página e aguardar o relatório. Ele mostra tanto dados de laboratório quanto dados de campo — quando disponíveis — e lista os principais problemas com sugestões de correção.
Uma observação importante: páginas com baixo volume de tráfego podem não ter dados de campo suficientes para o relatório. Nesse caso, o PageSpeed vai mostrar apenas os dados de laboratório, que servem como referência, mas não como medida definitiva do ranqueamento.
Google Search Console
O Search Console tem um relatório dedicado exclusivamente aos core web vitals, disponível no menu lateral. Ele agrupa as URLs do site em três categorias — bom, precisa melhorar e ruim — com base nos dados reais de campo coletados pelo Chrome. Além disso, o relatório destaca qual métrica está causando o problema em cada grupo de páginas.
Esse é o relatório que uso para priorizar as otimizações nos projetos da FOONUX. Quando o Search Console mostra um grupo grande de URLs classificadas como “ruim” por LCP, por exemplo, sei que o problema provavelmente é sistêmico — imagens pesadas ou hospedagem lenta — e não isolado em uma única página.
Chrome UX Report e Lighthouse
O Chrome UX Report agrega dados reais de navegação de usuários do Chrome e é a base dos dados de campo que o Google usa para o ranqueamento. Para acessá-lo diretamente, é possível usar o CrUX Dashboard no Looker Studio. Para auditorias mais técnicas, o Lighthouse — integrado ao DevTools do Chrome — oferece um relatório detalhado com pontuações e diagnósticos precisos de cada métrica.
O que fazer quando os Core Web Vitals estão ruins
Identificar os problemas é a metade do trabalho. A outra metade é corrigir de forma sistemática, sem fazer mudanças aleatórias que podem melhorar uma métrica e piorar outra.
O ponto de partida mais eficiente é o LCP, porque ele costuma ter o maior impacto no ranqueamento e as correções são relativamente diretas. Comprimir imagens no formato WebP, usar carregamento lazy apenas nas imagens abaixo da dobra — nunca na imagem principal da página — e ativar o cache do servidor são os primeiros passos.
Para o INP, a estratégia passa por auditar os scripts de terceiros instalados no site. Cada plugin adicional é uma carga extra na thread principal do navegador. Ferramentas como o Lighthouse mostram exatamente quais scripts estão atrasando a interatividade — e com frequência, a remoção de dois ou três plugins já resolve o problema.
Para o CLS, a correção mais eficiente é garantir que todas as imagens e vídeos tenham atributos de largura e altura definidos no HTML. Isso permite que o navegador reserve o espaço correto antes de carregar o elemento, eliminando os deslocamentos visuais.
A Semrush documentou em detalhe os principais padrões de problemas de core web vitals em e-commerces e sites de conteúdo brasileiros — o estudo está disponível em pt.semrush.com/blog/core-web-vitals-para-ecommerce/ e serve como referência técnica para entender quais problemas são mais comuns no contexto nacional.
Core Web Vitals e a estratégia de SEO do seu site
Os core web vitals não funcionam isolados. Eles fazem parte de um conjunto maior de sinais que o Google chama de Page Experience — que inclui também compatibilidade com dispositivos móveis, uso de HTTPS e ausência de pop-ups intrusivos. Portanto, um site com core web vitals excelentes, mas sem SSL ou com layout quebrado no mobile, ainda vai enfrentar dificuldades para ranquear.
Além disso, os core web vitals afetam o ranqueamento de forma diferente dependendo da competitividade do nicho. Em mercados muito disputados, onde vários sites têm conteúdo de qualidade similar, a experiência de página pode ser o fator de desempate. Em mercados menos competitivos, o impacto é menor — mas a tendência é que o Google aumente progressivamente o peso desses sinais ao longo do tempo.
Por isso, tratar os core web vitals como uma tarefa única de configuração e esquecer é um erro. Eles precisam ser monitorados regularmente no Search Console, especialmente após atualizações do tema, instalação de novos plugins ou mudanças na hospedagem — situações que frequentemente degradam a performance sem aviso.
Se você quer saber como o site da sua empresa está performando nos core web vitals e quais ajustes têm mais impacto no ranqueamento, a FOONUX oferece um diagnóstico gratuito que inclui a análise completa de performance — com priorização das correções por impacto e complexidade. Você também pode aprofundar a estratégia de conteúdo que alimenta esse ranqueamento lendo o artigo sobre Google Business Profile para empresas, que cobre como o perfil local e o site trabalham juntos para gerar visibilidade orgânica.




